Quarta-feira, 13 de Agosto de 2008

O sonho (pesadelo) de uma raça superiormente pura

Lebensborn.

Para muitos, esta é uma palavra desconhecida. Para alguns, representa algo que lhes ditou o seu destino. Lebensborn é um termo alemão. Literalmente significa ‘nascido em liberdade’, mas também designa ‘a primavera da vida’ ou ‘fonte da vida’. Este foi também o nome de um projecto criado pelo general alemão das SS, Heinrich Hilmmer, em Dezembro de 1935. O projecto teve como local central a Alemanha, mas também se espalhou pela França, Noruega e Bélgica.

 

O Programa Lebensborn tinha como objectivo expandir a raça ariana, uma raça ‘racialmente pura’ e considerada superior a todas as outras. Surgiu das “aspirações de cientistas e dos sonhos de homens loucos”.

 

Numa fase inicial do projecto, mulheres que se enquadravam no perfil de raça ariana (de cor branca, cabelo loiro, olhos azuis, inteligentes e geneticamente dotadas) eram seleccionadas para terem filhos de forma anónima nas várias casas criadas para o efeito. Jovens e viúvas engravidavam de soldados selecionados das SS e entregavam as crianças após o nascimento para serem criadas por membros das SS. Estes encarregavam-se de eugenizar as crianças, que nunca tinham contacto com os seus pais, nem recebiam qualquer amor ou carinho por parte destes e daqueles que os educavam. Em consequência deste tipo de criação, várias foram as crianças que ficaram autistas. A educação centrava-se nos valores defendidos pelos ideais nazistas.

 

Algumas mulheres aceitavam isto como algo a fazer em nome do regime, um sacrifício para o bem da raça ariana. Outras eram coagidas e obrigadas a deitarem-se com desconhecidos e engravidarem destes. Isto era algo que impulsionava a posterior rejeição da criança por parte destas mães.

 

Numa outra fase do projecto, em 1939, o procedimento modificou-se. Já não se favorecia apenas a procriação. Agora também se raptavam crianças que se enquadravam no perfil ariano. As crianças eram arrancadas às famílias nos vários países ocupados do leste europeu. Milhares foram levadas para centros do Lebensborn para serem ‘germanizadas’. Faziam-nas acreditar que os pais as tinham abandonado. A maioria não aceitava esta educação nazi e era, por isso, transferida para campos de concentração onde, posteriormente, eram exterminadas. Estima-se (pois é impossível determinar um número exacto) que cerca de 250 mil crianças tenham sido raptadas e levadas para a Alemanha. Destas, apenas 25 mil regressaram às suas famílias no final da Segunda Guerra Mundial. Algumas absorveram a educação que lhes foi dada, recusando-se a voltar para as famílias biológicas.

 

Este foi mais um período negro da história do nazismo. Por terem sido as crianças a sofrerem, ainda hoje se verificam as consequências. As crianças de ontem, são os adultos que hoje sofrem, que tentam esconder uma origem da qual sentem vergonha, um passado que levou à sua discriminação na Alemanha, mas sobretudo, na Noruega.

 

Mais informação:

http://en.wikipedia.org/wiki/Lebensborn

 

http://www.shoaheducation.com/lebensborn.html

 

 

 


publicado por Sofia_hd às 17:31
link do post | DEIXE A SUA OPINIÃO | favorito

."Linka-me"

Procura por mim



Também estou no Twitter:

http://twitter.com/Sofia_hd 

 





.Procura por mim

Procura por mim

.Sobre a Autora


. ver perfil

. seguir perfil

. 20 seguidores

.links

.Desumanidades

. O sonho (pesadelo) de uma...

.Baú

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

FEMINISTIZA_TE




.subscrever feeds